Manchas, puídos, rasgos. Os defeitos estão na moda. Viva o Wabi Sabi!
Não é de hoje que tenho notado uma certa, digamos, condescendência com o imperfeito. Repare a sua volta: móveis desgastados estão mais em alta do que nunca, roupas destruídas na passarela da Balmain e de Viktor & Rolf, narizes que até ontem pareciam grandes demais virando sinônimo de charme...
Uma verdadeira revolução na ideia de que defeitos/falhas, mesmo que genéticas, não podem ser tolerados. O fato é que por culpa católica, insegurança ou medo do pensamento alheio, temos sempre a tendência de achar que devemos ser super-heróis, super-humanos. O nariz é grande demais? Plástica! O sofá rasgou? Corre para o tapeceiro. Fazer remendos, porém, nem sempre é possível. Ou recomendável.
Freud explica e vivo debatendo o tema na minha análise. Se todos nós somos suscetíveis a falhas, porque errar ou demonstrar uma falha parece tão absurdo?
Talvez essa onda de imperfeição que tem tomado conta do design faça parte desse momento em que as pessoas começam a perceber que é impossível ser feliz o tempo inteiro, ser bonita o tempo inteiro, ser inteligente o tempo inteiro. Uma espécie de reação ao politicamente correto.
Então, vamos celebrar essa liberdade, mesmo que ela seja superficial, num primeiro momento. Quem foi que disse que o vestido de festa tem que ser perfeito? E mais: que esse perfeito não engloba uma barra puída ou uma manchinha conquistada com uso prévio?
Confesso que estou aliviada e acho incrível perceber que, devagar, devagarinho, as pessoas se permitem, por exemplo, conviver com os sinais do tempo. Seja num móvel de ferro oxidado (lindo, por sinal), seja numa ruguinha aparente.
Fonte: www.elle.abril.com.br